loader image
Sob os pés do açaizal: a vida ribeirinha de Waldelice

Waldelice Cardoso, 38 anos, é ribeirinha, agricultora  da comunidade Acará – Açu, no Pará. Ela  mantém uma ligação profunda com a terra e com as plantas. Wal, como é chamada pelos amigos e parentes, aprendeu desde cedo a manejar o açaizal. Ela conta que foi seu avô quem trouxe a primeira muda de açaí para a comunidade repassando adiante o conhecimento a respeito de seu plantio. 

“Minha mãe me ensinou isso com meu pai e hoje continuo e eu tenho uma paixão muito grande pela terra. Eu amo plantar, eu amo cuidar. E quando eu tô dentro da natureza, aquilo é uma terapia para mim. Eu me sinto perfeita. É maravilhoso”. 

 

Mãe solo de 3 filhos, Waldelice tem um cotidiano intenso. Divide o seu tempo entre o trabalho na roça, cuidado dos filhos, ajudando parentes e cuidando da casa. Foi ela quem criou os filhos praticamente sozinha, já que não recebia muito apoio do seu ex-marido. 

Apesar de participar da Associação de Moradores e Agricultores Padre Alberto Pirabon há poucos meses, Waldelice reconhece o impacto positivo que esse espaço trouxe para sua vida e para a comunidade. Foi seu irmão que a incentivou a entrar; ela hesitou no início, temendo não conseguir tempo hábil para participar, mas percebeu o contrário: a Associação está facilitando o trabalho dos moradores ao oferecer cursos no campo da agricultura. Essa movimentação  também está contribuindo para atrair os mais jovens: 

 

 

 

“Tá trazendo também os jovens para dentro da agricultura, que estavam sumindo. Ao mesmo tempo que eles tão trazendo os cursos, os jovens tão voltando. Aquilo tá sendo maravilhoso. Muito bom”

Além da associação de moradores, Wal também integra “Real Preserve” uma iniciativa local que busca promover a preservação ambiental através do esporte, com destaque para o futebol. Ela enxerga que a chegada da internet contribuiu para o  fortalecimento da associação e para melhorar o escoamento dos produtos, valorizar o açaí local e abrir novas frentes de comercialização. 

Também compreende que os mais jovens queiram deixar o território para estudar e elenca pontos positivos e negativos. Muitos deixam a comunidade em busca de novos conhecimentos e podem retornar para fortalecer ainda mais a comunidade com o que aprenderam, muito embora, nem sempre isso ocorra.

Wal também se preocupa bastante com o futuro que vão deixar para os jovens da comunidade. Ela não deixa de sonhar. Reconhece que existe uma movimentação em prol da agricultura, do artesanato, da produção de castanha e cacau artesanal. Para ela, o turismo de base comunitária seria uma ótima alternativa para gerar renda e valorizar os saberes e a cultura local, permitindo que os mais jovens tenham qualidade de vida e possam dar continuidade ao trabalho de proteção da floresta, que é o lar dos ribeirinhos de Acará Açu.