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A força da resistência: Ester e a luta do MST pela regeneração do território

Ester é uma jovem estudante assentada que vive com sua família ao lado de agricultores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Santa Bárbara, no Pará. O território onde mora, conhecido como Assentamento Abril Vermelho, é fruto de mais de vinte anos de luta.

Sua família deixou Belém quando ela tinha sete anos, em busca de uma terra para produzir. No início, se juntaram a um grupo acampado, prática comum do movimento antes da conquista do direito à terra e da condição de assentados. Nessa época, chegou a passar dias se alimentando apenas de arroz, realidade que hoje não existe mais no assentamento. Por isso, Ester expressa profunda gratidão pelas conquistas:

“Gratidão mesmo, de verdade, porque eu cresci nesse universo, né? Cresci vivenciando tudo, dentro da militância. Isso me conforta a cada dia. É ensinar para minha filha o que aprendi no passado e continuo aprendendo até hoje com o movimento.”

Atualmente, Ester cursa Administração com ênfase em cooperativismo e associativismo na Universidade de São Carlos, no interior de São Paulo. O curso é a distância, baseado na pedagogia da alternância: os alunos passam cerca de 35 a 40 dias fora e depois retornam para casa por alguns meses. Como tem uma filha de quase dois anos, ela conta com o apoio do marido quando precisa se ausentar.

O território ocupado pelo assentamento Abril Vermelho pertencia a uma empresa falida de monocultura de Dendê. O que trouxe um grande desafio para o resgate da fertilidade do solo. A principal produção do assentamento atualmente  é o açaí, mas a diversidade agrícola também inclui cacau, cupuaçu e banana, dentre outros alimentos. Ester atua ainda em um projeto de regeneração da paisagem florestal, colaborando com um dos principais programas do movimento: reflorestar e produzir alimentos saudáveis, sem uso de agrotóxicos. 

“Daqui a dez anos, o MST quer plantar mais de 10 milhões de árvores, certo? Junto com essa força que nos une, que são os assentamentos da reforma agrária. Esse projeto representa muito do que a gente deseja também: produção agrícola dentro dos lotes. Porque é fundamental que você consuma aquilo que também oferece para os outros consumirem.”

Além disso, Ester também encontra tempo para atuar como vice-presidente da Associação Ana Primavesi, que promove debates e desenvolve projetos comunitários. Dentro da Rede Comunitária Floresta Digital, estão construindo uma rádio comunitária para fortalecer a comunicação no território e dar visibilidade às iniciativas socioprodutivas locais.

Assim, Ester busca dar continuidade ao caminho aberto pelos que vieram antes, com muita luta e resistência.