Jadson dos Santos, 27 anos, assentado da reforma agrária, é exemplo de uma juventude comprometida com a agricultura sustentável. Aos 5 anos de idade, ele chegou no assentamento Abril Vermelho, localizado em Santa Bárbara, no Pará. Hoje, trabalha como agricultor, estuda agronomia e é entusiasta dos sistemas agroflorestais.
O modelo de produção agroflorestal integra cultivos variados e, ao invés de utilizar o solo para plantar apenas um tipo de alimento, produz diferentes espécies, uma ao lado da outra. Imitando a dinâmica de uma floresta natural, a agrofloresta impede a chegada de pragas e espécies invasoras.
No assentamento, cada família tem direito a um lote para produzir. Jadson, que vive com sua mãe, iniciou seu plantio trabalhando com monocultivos.
Foi durante as formações e ao debate sobre agroecologia e agrofloresta incentivado no assentamento, que ele começou a introduzir essa técnica em seu cultivo.
Mesmo com uma produção diversa, a principal renda dos agricultores do assentamento vem do açaí. Porém, aos poucos os estão fazendo a transição para o sistema agroflorestal, incluindo a criação de pequenos animais, como porcos, galinhas e abelhas, embora essa ainda não seja a maior fonte de renda dos produtores locais.
Jadson deixa claro que tem preferência por trabalhar na produção de alimentos saudáveis, sem uso de agrotóxicos, mas também assume diversas funções nas atividades comunitárias, como é o caso da comunicação popular. Ele participa frequentemente de formações oferecidas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e de demais projetos que envolvem comunicação:
“É uma honra representar meu território. Quando perguntam: ‘Você pode representar o território?’, eu vou com amor. Nunca penso ‘ah, não quero ir’. Eu vou com carinho, porque gosto do lugar onde vivo. E eu tenho uma visão de futuro: um lugar de paz, onde ainda exista vida. É isso que eu carrego comigo.”
Ele reconhece que, de forma geral, a juventude tem se interessado cada vez menos pela agricultura e o trabalho no campo. No entanto, enxerga um diferencial no assentamento onde vive:
“É, na questão dos jovens, nós ainda temos um um coletivo muito afetivo lá no acampamento, que funciona. Eles são bem participativos, vão para uma oficina, vão para prática, vão para teoria, são muito focados ainda na questão de plantar mesmo, né? Tem aquela o amor pelo território ainda.”
O jovem agricultor gosta muito da sua rotina e tem uma relação de amizade com os demais moradores do território. Além da juventude, Jadson também convive bastante com pessoas mais velhas. Afinal, faz parte da sua militância, reunir-se com todos os tipos de moradores do assentamento, participando da troca de saberes e conhecimentos entre diferentes gerações.
Juntos, idosos, crianças e jovens trabalham para garantir uma alimentação soberana e sustentável, preservando o território onde vivem. Jadson procura manter sempre seus pés no chão, mas não deixa de sonhar com um futuro melhor para todos no Assentamento Abril Vermelho. É no dia a dia, passo a passo, que ele segue plantando as sementes e preparando o solo para que isso aconteça.

