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Haila Murici: retrato de uma juventude que valoriza seu território

Haila Murici é uma jovem muito ativa nos projetos nos quais participa. Estudante da Escola Família Agroextrativista do Carvão (EFAC), localizada em Mazagão, no Amapá, com apenas 15 anos ela atua para dar maior visibilidade ao seu território, a comunidade do Piquiazal. 

É lá que famílias plantam mandioca, fazem artesanato e possuem um trabalho diverso de fruticultura. Mesmo com muito trabalho e diversidade de produtos, as famílias produtoras ainda enfrentam alguns desafios, principalmente com o escoamento das mercadorias. A logística do transporte ainda é complexa. Por isso, quando pode, Haila atua como comunicadora para contar a história dos e das agricultoras da região do Mazagão. 

“Para dar um futuro melhor para a minha comunidade, transformar a minha comunidade, valorização, conseguir recursos, fazer com que a minha comunidade seja reconhecida.”

Ela explica que, em Piquiazal, os agricultores se unem para combater o desmatamento trabalhando com o associativismo, uma forma de organização comunitária que une diferentes produtores. No caso deste território, além de plantar os alimentos, os associados buscam trazer o reflorestamento e manter a floresta em pé. 

Haila  sonha em trabalhar mais próxima à natureza. Por isso, pretende cursar biologia ou agroecologia. Mas a partir dos cursos e formações do projeto Rede Comunitária Floresta Digital, percebeu que também poderia atuar como comunicadora.  Seja como for, seu objetivo principal continua sendo a valorização de seu território. Diferente do que acontece com muitos jovens, seu desejo não é deixar sua comunidade em busca de uma formação, mas retornar com esse conhecimento. 

“Eu como jovem, quero estudar para trazer esses conhecimentos para dentro da minha comunidade, para dentro do meu território”, diz a jovem. 

Ela tem como referência sua própria mãe, Sueli Murici, agricultora de Piquiazal, que segundo Haila é 

“Uma mulher inspiradora, trabalhadora, agricultora, liderança de comunidade, nunca deixou faltar nada para mim. Faz de tudo pela comunidade, faz de tudo pelas pessoas.”

Assim como sua mãe, ela pretende ajudar as pessoas, principalmente mulheres, a levar adiante seus projetos e empreendimentos. Para os seus colegas mais jovens, ela deixa um recado:

“Nunca parar de estudar e continuar focando nos seus sonhos. Não pensar em só sair da nossa comunidade. Não quero dizer que é para se prender, mas trazer esse conhecimento para dentro da nossa comunidade, para fazer dar mais visibilidade e promover o crescimento.”