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Antônio Vitor Cunha: juventude, território e compromisso com o futuro

Antônio Vitor Cunha, 23 anos, é jovem da comunidade Acará-Açú, no município de Acará (PA). foi criado no território onde construiu sua história pessoal, profundamente ligada à comunidade, à valorização da educação e ao engajamento com a juventude local.

Filho de professora, Vitor cresceu em um contexto onde a educação sempre foi central. Sua mãe, única entre 14 irmãos a concluir o ensino superior, atua há mais de duas décadas como educadora na própria comunidade, sendo referência para diferentes gerações de estudantes. Essa vivência influenciou diretamente sua formação e seu entendimento sobre o papel transformador do conhecimento.

“Ela é a única formada da família. Tudo que ela fez foi pensando na gente.”

Vitor concluiu o ensino médio aos 17 anos e, desde então, passou a buscar oportunidades de acesso ao ensino superior. A pandemia de COVID-19 representou um marco de interrupção em seus planos acadêmicos, ampliando os desafios já existentes para jovens em territórios com acesso limitado a políticas educacionais e oportunidades de formação.

“A pandemia quebrou minhas pernas. Eu sempre quis estudar, fazer faculdade.”

Apesar das dificuldades e de sucessivas tentativas, Vitor insistiu em seguir em busca do sonho de ingressar na universidade. Em 2026, Vitor ingressou no curso de Desenvolvimento Rural da Universidade Federal do Pará (UFPA), concretizando um objetivo construído ao longo de anos de esforço e dedicação.

“Foram muitas tentativas. Teve momento que desanimou, mas eu sempre acreditei que uma hora ia dar certo.”

Paralelamente ao percurso educacional, Vitor desenvolveu forte atuação comunitária por meio da igreja e da pastoral da juventude. Desde os 16 anos, exerce funções de liderança, tendo atuado na coordenação de grupos de jovens em diferentes níveis, incluindo a coordenação paroquial no município de Acará. Nesse espaço, contribui com ações voltadas ao acolhimento, formação e escuta de jovens, especialmente em temas relacionados à saúde mental.

“A gente convive com jovens com ansiedade, depressão… às vezes a gente vira psicólogo, professor e também aprende muito com tudo isso.”

Sua experiência evidencia os desafios enfrentados pela juventude local, como a evasão escolar, a falta de acesso ao ensino superior e a escassez de oportunidades de inserção profissional. Vitor observa que muitos jovens acabam interrompendo seus estudos precocemente, o que impacta diretamente suas perspectivas de futuro.

“Na minha comunidade, de muitos jovens, poucos seguem estudando. É difícil fazer alguém acreditar que estudar vale a pena.”

Diante desse cenário, mantém o compromisso de seguir sua formação e contribuir com o desenvolvimento de sua comunidade. A escolha pelo curso de Desenvolvimento Rural dialoga diretamente com sua realidade e com o desejo de fortalecer o território onde cresceu.

“Eu quero estudar e levar esse conhecimento de volta pra minha comunidade.”

Vitor também destaca a importância de iniciativas coletivas e do engajamento comunitário na construção de alternativas para o território. Para ele, o fortalecimento da comunidade passa pelo protagonismo dos próprios moradores, especialmente das novas gerações.

“Se a gente não fizer, ninguém vai fazer.”

Sua trajetória reflete uma juventude que, apesar dos desafios estruturais, segue mobilizada por sonhos, pelo desejo de transformação social e pela construção de um futuro mais justo para seu território.

“Eu quero olhar lá na frente e dizer: eu fiz alguma coisa.”