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Artesanato, cuidado e sustentabilidade marcam a rotina de Elque Brito na Resex Chico Mendes

Existem muitas formas de manejar a floresta de forma sustentável.  Elque Brito, moradora da comunidade Rio Branco, na Reserva Extrativista Chico Mendes (AC) nos mostra uma delas. A artesã de 40 anos constrói peças lindas de madeira sem derrubar nenhuma árvore. 

Elque integra o Ateliê da Floresta, espaço onde ela e seu colegas trabalham na feitura de gamelas, colheres de pau e biojóias. Todas as peças são feitas com madeira de reaproveitamento, ou seja, de troncos de árvores já caídas na mata.  

“Esse meu trabalho lá no Ateliê da Floresta tem sido uma terapia muito boa para mim, e uma renda também”, revela Elque que, além de trabalhar com artesanato, é mãe atípica, responsável pelos cuidados de um filho autista de 10 anos de idade. 

Ela também é mãe de duas meninas, fruto de um casamento que já dura 23 anos. Seu marido é uma pessoa com deficiência e tem o direito a um salário mínimo mensal. No entanto, isso impede que seu núcleo familiar receba outros recursos do governo, como o bolsa família. Por isso, Elque precisa também trabalhar fora de casa para complementar a renda. 

Ela também relata que sempre teve facilidade com manualidades e artesanato. Além dos produtos em madeira, também faz crochê. Mas foi durante o curso de formação para trabalhar no Ateliê que aprendeu a mexer em grandes maquinários. Mesmo não podendo estar presente em todos os dias do curso, Elque diz não ter enfrentado muita dificuldade para aprender: 

“Os dias em que eu fui, eu aprendi. Tenho certeza que o professor saiu muito orgulhoso de mim, porque em tudo eu tentei dar o meu melhor.”

Mesmo com a facilidade para manejar ferramentas grandes e elétricas, ela também está ciente dos riscos. Já sofreu um corte na barriga, mas o ferimento, felizmente, não foi  grave. A ferramenta que considera mais perigosa é pequena em tamanho: o escareador, usado para rebaixar as bordas de um furo. Já a serra elétrica, ela tira de letra.  

Mãe atípica, artesã e dona de casa. Elque concilia diferentes jornadas sem abrir mão de seus sonhos. Ela espera que todo o trabalho e dedicação junto do Ateliê da Floresta sejam reconhecidos e alcance cada vez mais pessoas, provando que manter a floresta em pé pode garantir muitos bons frutos.