Mesa de som, computadores, microfone. Em volta, um grupo de pessoas de diferentes idades produzia uma transmissão de rádio desde a floresta, mais precisamente no Quilombo Gibrié de São Lourenço, localizado em Barcarena, no Pará.
O cenário também era composto por gente de diferentes territórios tradicionais da Amazônia brasileira dispostas a passar cinco dias em uma imersão para experimentar a comunicação comunitária, entre os dias 6 e 10 de novembro.
A proposta desse evento, que ocorreu nas vésperas da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP30, foi reunir diferentes representantes do projeto Rede Comunitária Floresta Digital para a realização de oficinas sobre tecnologias sociais e comunicação comunitária.
O encontro contou com presença de representantes de mais cinco comunidades participantes da Rede: Dirliane Freitas de Mazagão, Amapá, Carlinhos Luz, do assentamento Abril Vermelho, de Santa Bárbara – PA, Josias Sateré Mawé, da Aldeia Ponta Alegre – AM, André Kumaruara da Aldeia Vista Alegre do Capixauã em Santarém – PA, Waldelice Cardoso da comunidade ribeirinha de Acará Açu- PA, além de Mario Santos e diversas pessoas do próprio Quilombo Gibrié de São Lourenço.
Dirliane Freitas deixou sua comunidade, São Tomé do Breu, no município de Mazagão Amapá, e seguiu até Santarém, no Pará, para embarcar em um barco rumo a Belém. A jornada reuniu pesquisadores, comunicadores, artistas e ativistas, muitos destes ribeirinhos, indígenas e quilombolas. Após aportar em Belém, a equipe seguiu para o Quilombo Gibrié de São Lourenço, onde participaram de oficinas. Dirliane, que é agricultora e comunicadora, participou dessa imersão ao lado de outros quatro representantes de comunidades que integram o projeto Rede Comunitária Floresta Digital.
Dirliane, que atua em uma rádio recém inaugurada em sua região ressaltou o que levará deste encontro:
Falamos sobre vários meios de comunicação, como se comunicar e como fazer essa comunicação chegar às comunidades e também a outros lugares. As oficinas foram muito importantes para mim, tanto para minha vida pessoal quanto profissional. Saber da importância dessas formações para nossos territórios é essencial, para que possamos levar informações a outros lugares e trazer melhorias para a comunidade. O que eu levo dessas oficinas é conhecimento.
A atividade também inaugurou um antigo sonho do quilombo: ter uma rádio comunitária que ecoe para dentro e para fora do território. A rádio Caribé do Gibrié. A primeira transmissão foi possível a partir de uma oficina de webrádio oferecida por Fernando Saci.
Josenite dos Santos, uma das representantes da associação de moradores do Quilombo está otimista com os próximos passos:
E o futuro nosso, que a gente espera, é isso, que com esses conhecimentos, com esse apoio que nós estamos tendo, venha nos dar mais oportunidade, dar maior visibilidade à nossa comunidade, levar as nossas vozes além do quilombo São Lourenço, fazer com que outros nos respeitem, nos ouçam, nos dêem atenção, nos reconheçam como famílias tradicionais quilombola.
Além da oficina de webrádio, os participantes também puderam aprender mais a respeito de tecnologia livres. Nilson Rocha mostrou como o uso da tecnologia de rádio Hermes transmite dados sem uso de internet. Já Luandro Vieira apresentou o aplicativo Immich para gerenciamento de fotos.
As tecnologias ancestrais também permearam esse encontro com as apresentações musicais de carimbó do grupo Arirambas e do mestre De Bubuia composta por moradores do quilombo Gibrié.
Esse foi mais um encontro presencial da Rede Comunitária Floresta Digital, iniciativa promovida pela DW Akademie em parceria com o projeto Saúde e Alegria.

