Embora não seja um homem de idade avançada, seu José Sateré Mawé é uma liderança indígena reconhecida como um dos guardiões da história de seu povo.
Ele vive em Barreirinhas, no Amazonas, na Aldeia Ponta Alegre, onde, como gosta de dizer, “as margens são espraiadas”. Durante muitos anos, sua comunidade viveu da caça e da agricultura, cultivando macaxeira, batata, cará, banana e diversos outros alimentos.
Além de artesão, seu José também é caçador e chega a passar de três a quatro dias sozinho na mata. Quem mais se preocupa são seus filhos, por quem ele tem grande apego:
“Eles ainda são bebês para mim”, costuma dizer.
Apesar de suas várias habilidades, o que torna seu José uma figura de destaque na aldeia é ser um dos líderes do ritual da Tucandeira, tradicional entre os Sateré Mawé. Esse rito de passagem, destinado aos jovens homens da etnia, consiste em colocar as mãos em uma luva de palha repleta de formigas tucandeiras por longas horas.
A picada dessas formigas é extremamente dolorosa, mas seu José, que já vestiu a luva mais de 80 vezes, afirma que, desde que “se ferrou”, nunca mais adoeceu.
Ele também é responsável por confeccionar a luva usada no ritual, chamada saaripé e aprendeu a cantar as músicas que acompanham o ritual:
“Hoje eu conto histórias, canto o ritual e preparo tudo. Eu teço a luva, coloco as formigas, canto junto com quem está passando pelo rito. Faço tudo isso lá na comunidade.”
Quando tem oportunidade, viaja até Parintins para vender seus artesanatos. Como guardião da cultura Sateré Mawé, busca manter viva a história de seu povo por meio de seu trabalho.

